segunda-feira

7 * 365



Às vezes preferia não te ter conhecido. E logo de seguida arrependo-me de sequer supor essa ideia. Mas às vezes acho que seria mais fácil se nunca te tivesse conhecido. Consumiste-me o futuro. Por isso é que às vezes seria melhor nunca te ter conhecido. Antes, às vezes, tinha medo que isto durasse muito tempo. Agora, muitas vezes, tenho pena que dure para sempre. Por isso é que era melhor nunca te ter conhecido. Para ter futuro.


Nestes anos todos de ausência aconteceu-me passar por muitos estados… A dependência toda, a ilusão do regresso, o desespero do anonimato, do silêncio imposto a ferros, a tristeza da espera por receber o que se exigia: palavras… Pelo menos palavras! As saudades! As saudades! Mas também a raiva, o despeito, a certeza de que não merecia. A força! O orgulho na força! O alivio da certeza de que não mercecia!


Pelo menos daquela forma, não merecia. Pelo menos assim, não merecia. E essa ‘cruz’ será carregada a vida toda! Saberemos os dois, para sempre, que desta forma eu não merecia. Que esta certeza sirva pelo menos para o tal futuro roubado… E que nos sirva aos dois!


As saudades… Sinto saudades daquele trote louco e da felicidade toda a não saber caber no peito na mesma proporção com que sinto pânico do sofrimento, do ranger todo do mundo, do nó indescritível a consumir-me o peito, do anonimato que parece pôr-me o rótulo de desistente quando só por amor se desiste de ter futuro.

Sem comentários: