quinta-feira

4 x 12

Choro-te como no primeiro dia. Ou “ainda” te choro como no primeiro dia? E tenho medo. Ou tenho “ainda mais” medo? É sobre a falta de resposta para estas expressões, a falta de convicção para a escolha de uma delas, sobre a ambiguidade de ora sentir desespero ora um estado de encanto… É sobre isso que as palavras guardadas há… Quatro anos? Será? É sobre isso que evito debruçar-me. Mas ardem-me na garganta as palavras. Mordem-me por dentro os impulsos. Às vezes sinto o coração apertado durante dias. Já li sobre sintomas. Já li sobre primeiros-socorros. Já saltei da cama com os dedos a tropeçarem nos três números. Já gravei o número em “tecla rápida”. “Já não quero morrer” foi a melhor conclusão que tirei desse ato mecânico que se traduziu na gravação dos três números. E tive medo. Ou fiquei feliz? Na rua, na estrada, ainda atropelo carros e salto passadeiras e muros. Mas, se calhar, é o hábito. Se calhar habituei-me demais, sosseguei demais ciente e decidida dessa ideia, ideia tão mais fácil que o ato mecânico de gravar números e de saltar da cama e de interpretar sintomas e de abrir janelas, respirar ar puro, correr pra praia, ver as ondas do mar a ir e vir, beber umas minis de golada, ajoelhar-me e abanar a cabeça com força muitas vezes para desfalecer, sentir cansaço físico, adormecer, por fim, aliviada. Se calhar há evolução… Tenho medo de assumir. Tenho medo de me iludir. Mas se calhar há. Porque o desejo de um “coma” está a ganhar terreno à morte. Está assim uns 2,5 pra 4x12. Demora! Tarda! Agonia! Mas ganha terreno! E dá-me medo. Sabia-me prostrada. Conhecia-me. Não me sabia a querer discar números pra impedir o fim fácil.

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