segunda-feira

MA_NA

As músicas não param de soar na minha cabeça. Se tivesse talento pra escrever, escreveria letras de músicas. Há uma de Jorge Palma (o mestre sempre) que fala do “sossego” como sinónimo de “conforto”. Acho que me senti confortável durante algum tempo por estar sossegada. Conformada, talvez. Conformada, mas a sossegar. Triste, mas a conformar-me. Ainda revoltada, mas conformada. Ainda em fúria mas a sentir o sossego de recomeçar a sentir-me viva.
(...)
Dei por mim, há dois/três anos atrás, a falar de “lealdade” em contraponto com a “traição” como se fosse dona de uma verdade imensa. E agora percebo, e é onde dói mais, que com a traição vivia bem, mas a necessidade de lealdade torna-me indefesa, inútil, impotente.
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Saltamos?
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Sobre olhar… Sobre o mais semelhante que encontrei na atmosfera de sentir e tremer por dentro... Sobre a necessidade de ter amarras nesta noite de silêncio exterior e gritos calados.
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Mas é impossível. Não há ego. Não há corpo. Não há tremer que me tire a sensação de que estou esquecida do que é ter chão. Há uma coisa que me perturba. A minha cama, os meus lençóis, o espaço onde sou obrigada a desfalecer todos os dias, não têm cheiro. Isso, seja história nova ou velha, seja amar ou seja sugar o que é momentâneo, isso deixa-me, mais do que carente, deixa-me morta.
(...)
Por isso, em suma e para concluir, gostava de descobrir o cheiro de um novo amor mas não me permitiria sequer imaginar que é possível esquecer-me do cheiro do meu amor.

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