terça-feira

C17.1a

“Acho que vivia de escrever histórias de viagens… Se conseguisse” O ‘fascínio’ foi, de longe, diferente. Se calhar querem-se assim as histórias novas. Não se sabe se há, de facto, uma história. Mas, de facto, é, no mínimo, nova!
Sobre acasos… Sobre destino… Sobre conselheiros de viagem… Continuo sem saber que sinais escondem as ruas e os caminhos. Sei que a vida (sem V maiúsculo) guarda enigmas que a razão desconhece.
Frases feitas. Algumas improvisadas. Muitas saídas com esforço.
Às tantas, tive medo de já não saber falar. Falar no sentido da fluência das palavras e das conversas. Às tantas, tive medo de ter perdido o dom de responder, de intercalar raciocínios, de falar de vivências, sem estar a procurar aceitação. O incrível… Incrível! É que quis aceitação a cada palavra, a cada raciocínio intercalado, a cada expressão de comunicação.
Os silêncios pesaram. Talvez pela busca, talvez mutua busca, de aceitação.
Pesaram como pesa nos ombros a história que não se sabe se é história por nem se saber se se quer apostar no novo. Se se consegue apostar. Haverá forças para apostar? Haverá motivação para começar histórias?
Voltando aos caminhos e aos enigmas que as horas e as ruas guardam… Passos intermináveis medidos ao ritmo dos saltos que o peito não desmente. Alguma coisa nas estrelas que brilham ou nas pedrinhas da calçada que gemem ou nos sons que entoam, alguma coisa mudou.
É preciso perceber se é bom ou mau. Pior é impossível. Parece dramático? Mas pior era cair no fundo de alguma coisa que já não me parece ter mais como afundar.
Certo é que o palpitar não é salgado. Não é saboroso, também. Mas não é salgado. É só… Novo!
Gostei, por momentos, de acordar da anestesia de não sentir ritmo no peito para o enigma de não saber o que sentir. Gostei da adolescência madura de quem já não teme perder nada. Gostei de sorrir por nada. Gostei de sentir que afinal se calhar até posso merecer ser feliz. Não mereço, mas isso sei-o eu. Não mereço, mas isso não é preciso que o destino saiba.
A propósito de negras, de cansaço e de pulmões moribundos, disse, recentemente, que não tinha nada a perder. E não tenho. Isso não mudou! Mas senti, por momentos, que há segundos em que o peito salta por nada que pode ser tudo. Isto, às tantas, é um sinal de que posso (sem merecer, já sei, é certo, não alimento ilusões) ser feliz um dia!
Às tantas, decidi que não ia ser perfeita. Não estava a ser perfeito, afinal. Afinal, estava apenas a ser novo. Nisso, na novidade, houve alguma coisa de perfeito. Muito provavelmente por ser novo!
“Fico deprimido durante três semanas quando as histórias de amor não acabam bem”. Gostei! Como gostei do desabafo em relação à vida e à rotina. Como gostei de imaginar que não estava a ser perfeita, muito menos quando declarei, de imediato, a minha dislexia, perante a declaração simples, e também imediata, de que há cores que são dificeis de distinguir.
Gostei de sentir medo por ter alguma coisa a perder. Ou, exactamente, por saber (certeza muito maior do que os sentidos) que não tenho nada a perder!

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