sábado

5/7/9

Hoje não foi um dia diferente dos outros. Foi complicado e cansativo, mas não foi diferente dos outros. Voltei a ter de recorrer a um táxi para ir do jornal para o escritório, mas para quarta-feira nem sinto isto como uma excepção má, mas sim como a maneira de relaxar uns minutos. Nem vou analisar a questão do transporte. É obvio que preciso de tratar de mil coisas e de organizar tudo melhor. Tem sido difícil e cada dia com desafios maiores, mas também sei que já tive dias piores e que outros piores virão e irão, por isso - até porque não tenho outra hipótese - não dá para desistir.

Porque não dá para desistir e porque hoje, embora não tenha sido um dia diferente dos outros, houve um baque que bateu daquela forma que dói como se a única solução fosse arrancar o coração, parei para ser objectiva como sempre adiei ser.

Uma ressalva: eu respeito-te muito! Disso não tenhas qualquer dúvida. Respeito-te e luto fiel a esse respeito todos os dias. Quando digo que te respeito, digo que respeito a tua vida (e repara que eu disse a tua) como se essa fosse uma das minhas missões por ter tido oportunidade de te conhecer. Eu respeito-te e respeito, aceito e compreendo tudo!

Confissão: além da tentativa de ser objectiva (por alguma razão nunca demorei tanto tempo a escrever um mail a um amigo), tenho consciência que tou a ser, também, muito egoísta. Deixa-me porque hoje, depois daquele baque, sinto que posso ter alguma força e tenho de a agarrar agora.

Sem entrar em pormenores, esta luta nunca mais vai acabar mas às vezes sinto uma lufada qualquer de esperança que me dá a sensação de que qualquer dia vou ter um bom, muito bom dia e não há nada melhor do que isso. Nada mais encorajador do que saber que a existência desse dia é uma realidade. Não faço perguntas, não procuro explicações, nem fórmulas mágicas, nem sequer empurro ou dou pontapés às coisas porque o tempo tem o seu tempo e só acredito no meu próprio tempo. Também não escondo que os sentimentos nem sempre são os mais bonitos do mundo, mas por isso é que luto porque o respeito é muito maior do que esses momentos.

Lembraste que te respeito muito? Também aceito todas as decisões e indiferenças e formas de fazer as coisas e lembro-me muito bem de não ser dona dos meus movimentos nem dos pensamentos, nem da lucidez. Era uma falta de lucidez absolutamente indescritível. Eu respeito também por me lembrar a todos os minutos disso.

Tou objectiva e tou a tentar agarrar este bocadinho de força. Já não são súplicas, nem pedidos, nem nada que te obrigue a envolver. Mas hoje tive um baque daqueles que nos faz - não sei se percebes, aliás espero que não em pleno - perceber que é preciso estender a mão. São passinhos de bebe, mas são passinhos. Tou a dá-los;-)

Amanha é um dia como os outros. Posso até já antecipar o "arrependimento" e a tua "indiferença" que - reafirmo e garanto respeito até porque me lembro todos os minutos daquela falta de lucidez indescritível - mas amanha é um dia igual aos outros com a diferença de que os passinhos se estão a dar.

Sem comentários: